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A ação do BC vai segurar o dólar?

A mudança de atuação que o BC promoveu hoje em seus leilões de swaps cambiais, aumentando o volume de 10.000 para 15.000 contratos, reflete o desejo de deter a queda dólar. A moeda deu uma subida na abertura, mas voltou a cair. Tudo indica que o reforço da estratégia não surtirá efeitos.

Apesar do presidente do BC, Ilan Goldfajn, dizer abertamente que é defensor do regime de câmbio flutuante, ele considera que os países emergentes têm fluxos muito intensos, capazes de aumentar muito a volatilidade das moedas. Isso impede que os equilíbrios macroeconômicos sejam atingidos da melhor forma. Para compensar essa particularidade1 os países adotam medidas de “administração” da flutuação cambial, que acabam retirando o título de “flutuante” do regime cambial. Hoje temos no Brasil um regime de flutuação suja, onde o BC atua topicamente no câmbio, sem compromissos anunciados.

Ontem coloquei as dificuldades que o BC tem para manter a sua atuação no câmbio indefinidamente (http://pepasilveira.blogspot.com.br/2016/08/por-que-o-dolar-continua-desabando-e_10.html). Ontem mesmo o BC anunciou que passará a colocar no mercado 15.000 contratos de swaps cambiais no lugar dos 10.000 anteriores. Então ele passa a “comprar” o equivalente a US$ 750 milhões diariamente, por tempo indeterminado.

Mas essa forma de atuação, por si só, não consegue eliminar o excesso de dólares que sobra no mercado em função do fluxo de entradas que vêm para aplicações em renda fixa e na bolsa. E elas vêm porque as empresas estão muito baratas em dólares (o dólar subiu muito nos últimos meses e, ao mesmo tempo, os preços das ações despencaram) e aproveitar a diferença entre os juros praticados aqui pelo Tesouro Nacional e os praticados pelos Tesouros do resto do mundo.

Ainda que o BC tente segurar a moeda, sua intervenção tem limites: os swaps cambiais explicitam despesas que levam críticas ao BC e a compra física de dólares aumenta a Dívida Bruta do Governo2. O aumento da Dívida Bruta piora os indicadores fiscais que servem para o FMI, as agências de riscos e os mercados monitorarem o país. Logo, a compra de dólares é vista como um fator que pode piorar a percepção em relação à sustentabilidade da dívida pública no longo prazo.

Com esses limites para comprar os dólares e com a impossibilidade de baixar os juros, que dependem da inflação doméstica ainda elevadíssima, o BC tenta equilibrar vários pratos, com uma possibilidade baixa de consegui-lo fazer por muito tempo.
 


Na verdade, a imensa maioria dos países têm esse comportamento, o que o torna uma generalidade. Somente os países avançados têm moedas mais líquidas e estáveis, Dentre eles podemos citar os EUA, Reino Unido, Euro, Canadá, Japão, Suíça e Austrália. Os países em desenvolvimento e emergentes podem ser classificados como “pequenas economias abertas” e os países avançados como pequenas economia abertas. O grau de abertura das pequenas economia abertas é maior e seus regimes cambiais são, por conta disso, inclusive, mais vulneráveis aos fluxos de capitais. A imensa maioria deles não consegue praticar um regime de câmbio totalmente flutuante.

Quando o BC compra dólares do mercado, ele emite reais. Esses reais emitidos são “esterilizados” em operações de open Market, que exigem a emissão de títulos do Tesouro. Quando os Títulos são emitidos, eles aumentam a Dívida Bruta. « Voltar
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